quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

VOU PEDIR EMPRESTADO.



Eu tinha cinco pra seis anos de idade, década de 80, São Paulo, quando o meu pai estava no alto de uma escada, limpando uma estante repleta de livros, que da minha baixa estatura de criança, parecia o Monte Everest do conhecimento... Eu e minhas irmãs, não podíamos mexer nela e minha curiosidade em olhar cada folha de todos aqueles livros era algo eletrizante e justo por conta da energia ou melhor, da economia dela é que não podíamos passar o dia com a cara grudada na TV.Então do alto de seu pedestal, e depois de muito eu pedir, meu pai joga um livreto fininho, o primeiro de muitos que depois vim a abrir. Não me esqueço das figuras de pássaros que havia nele, mas me frustrou o fato dos inúmeros códigos me serem completamente incompreensíveis. Sanada a curiosidade inicial de saber o que meu pai ou mãe olhavam ávidos para aqueles objetos retangulares, não aquietei o facho, como se costuma dizer aqui, enquanto não percorri o labirinto do alfabeto por inteiro.

Li muitos livros. Leio muitos livros. E uma ressalva ao atual fato de que raro é encontrar um adolescente que goste de ler, ( protesto!!! ) me consola também o fato de o maior meio de comunicação atual ser em 80 % leitura mais que vasta e claro, interessante!

Quanto internauta, absolvo e aprendo uma gama enorme de conhecimento, tanto, que foi inevitável o impulso de não apenas ler mais também escrever e compartilhar, não me importando tanto ser lida ou comentada e sim apenas colocar pra fora tantas e tantas versões de mim.

E eu sou meio múltipla mesmo...

Estava navegando em busca de um título de um livro que eu me toquei, ainda não li. Curioso foi este exemplar clássico me cair em mãos e eu tê-lo passado á frente sem ler. O motivo foi mais que justo: antes de voltar pra estas bandas, ao me despedir de uma pessoa muito querida eu não tive dúvidas, escrevi uma dedicatória e dei o livro de presente com toda a minha saudade que surgia... Encontrei o livro completo em formato PDF e salvei no meu PC, mas resolvi que não vou ler.

A pessoa querida está distante, e não tinha contato com ela há uns dois anos e eis que surpresa eu recebo um olá que me deixou esfuziante! Mágica da tecnologia que transforma longe e perto com uns poucos toques de dedos!!!

Quando eu tiver reunido poder pessoal suficiente, vou rever esta pessoa e pedir o livro emprestado e enfim lê-lo com toda a pompa e circunstância que a ocasião permitir.

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